O primeiro título de expressão do futebol feminino do Cruzeiro é justamente o mais cobiçado das Américas. Neste sábado (31), em Quito, no Equador, o clube conquistou a Libertadores Feminina na primeira vez que disputou o torneio ao superar o Corinthians, dono de seis títulos continentais e campeão das três edições anteriores.
A conquista vem sete anos após o clube criar a divisão feminina, em 2019. No caminho, houve títulos mineiros e um quase no Brasileiro de 2025, quando as Cabulosas perderam a final para o próprio Corinthians. Nesse período, o elenco passou a ter jogadoras convocadas para a seleção e encontrou uma referência em Byanca Brasil, camisa 10, artilheira e líder do time.
- Campanha
2 a 1 LDU Quito, 3 a 0 Bolívar, 3 a 0 Olimpia, 3 a 0 Libertad, 1 a 0 Olimpia e 4 a 4 Corinthians (5 a 4 nos pênaltis) - Artilheira
Byanca Brasil, 6 gols (artilharia dividida) - Final
saiu de 0 a 3 para 4 a 4, com o empate nos acréscimos - Na final
38% de posse, 16 finalizações e 2,9 gols esperados - Prêmio
US$ 2 milhões - Próximo jogo
Barcelona, semifinal da Copa dos Campeões Feminina da Fifa, janeiro, Miami (EUA)
Libertadores Feminina 2026. Fonte: Conmebol.
Time criado em 2019
O time feminino do Cruzeiro nasceu em fevereiro de 2019, para cumprir a exigência da Conmebol e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de que clubes com equipe masculina em suas competições mantivessem um time feminino. No primeiro ano, foi campeão mineiro invicto e vice da Série A2 do Brasileiro, o que garantiu o acesso à elite.
Depois vieram três finais seguidas do Mineiro perdidas para o Atlético-MG, de 2020 a 2022. O Cruzeiro quebrou a sequência em 2023 e voltou a ganhar o estadual em 2024 e 2025.
O salto nacional veio em 2025. As Cabulosas terminaram a primeira fase do Brasileiro na liderança e chegaram à final, perdida para o Corinthians: empate por 2 a 2 em Belo Horizonte (MG) e derrota por 1 a 0 em São Paulo (SP), diante de 41.130 torcedores. O vice valeu a vaga na Libertadores.
Elenco reformulado
Para 2026, o clube trocou quase metade do elenco, com 11 contratações e 11 saídas. Entre as chegadas estavam a goleira Cláudia, ex-Fluminense, a zagueira Tainara, ex-Bayern de Munique e Palmeiras, e a atacante Millene, ex-Corinthians e Ferroviária.
A temporada teve seis lesões de ligamento cruzado anterior no grupo, entre elas as das zagueiras Tainara e Paloma Maciel. Na janela do meio do ano, o Cruzeiro voltou ao mercado: trouxe a atacante Radija, ex-América, a zagueira venezuelana Yenifer Giménez, que jogava no Servette, da Suíça, e Isadora Amaral, zagueira e meio-campista, ex-Palmeiras.
No Brasileiro de 2026, o time terminou a primeira fase em sétimo e caiu nas quartas, de novo para o Corinthians. Marília foi a artilheira do campeonato, com 11 gols.
O elenco também passou a frequentar a seleção. Em 2026, o técnico Arthur Elias convocou Cláudia para os amistosos de fevereiro e chamou Marília, Vitória Calhau e Paloma para a Fifa Series, em abril, em Cuiabá (MT). Byanca, Camila e Isa Haas também já defenderam a seleção principal.
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Números da campanha
O Cruzeiro terminou invicto, com cinco vitórias e um empate, 16 gols marcados e cinco sofridos, quatro deles na final. Byanca, a camisa 10, fez seis gols e dividiu a artilharia com Vic, do Corinthians, e com Mariana Zamorano, do Santa Fe, da Colômbia.
Foi o terceiro título de Byanca na Libertadores, e cada um foi o primeiro do clube que ela defendia: o Corinthians, em parceria com o Audax, em 2017, o Palmeiras, em 2022, e agora o Cruzeiro. Segundo a Conmebol, nenhum time ganhava o torneio na estreia desde aquele Palmeiras.
O próximo adversário é o Barcelona, campeão da Liga dos Campeões feminina 2025/26, na semifinal da Copa dos Campeões Feminina da Fifa, em janeiro, em Miami, nos Estados Unidos.




